Estúdio de tatuagem que vende produtos pós-tattoo: como calcular o lucro real de cada pomada e acessório

Você termina a sessão, explica os cuidados, e o cliente pergunta: “tem a pomada aí?”. Tem. Ele leva a bisnaga, um sabonete neutro e uma película, paga no cartão e vai embora feliz. No fim do mês, o caixa mostra que o balcão de produtos vendeu bem. A pergunta que quase ninguém faz é outra: quanto desse dinheiro sobrou de verdade?
Vender produtos pós-tattoo é um jeito honesto de completar o atendimento e de ganhar um extra. Só que a conta que a maioria dos estúdios faz é a conta de padaria: preço de venda menos o valor da nota do fornecedor. Ela deixa de fora o frete da reposição, a taxa da maquininha, o saquinho, o folheto de cuidados e a bisnaga que venceu no fundo da gaveta. A seguir, você vai ver as crenças mais comuns sobre esse assunto, separadas entre mito e verdade, e um exemplo numérico completo para refazer com os seus números.
Mito: se vende, está dando lucro
Giro e lucro são coisas diferentes. Um produto pode sair toda semana e, ainda assim, deixar quase nada no caixa, porque cada venda carrega custos que não aparecem na etiqueta. O contrário também acontece: um item que vende pouco pode ter a melhor margem do balcão.
Quem confunde os dois acaba reforçando o estoque do produto errado. Compra mais do que gira, empata dinheiro e descobre tarde que o campeão de vendas era, no fundo, um campeão de trabalho. Se o estúdio é o seu ganha-pão, vale olhar para o balcão com o mesmo cuidado que você tem com a agenda. O texto sobre como viver de tatuagem com um plano de carreira trata justamente dessa virada de chave, de artista para quem também administra um negócio.
Mito: lucro é o preço de venda menos o preço da nota
O valor unitário da nota é só o ponto de partida. Para chegar ao custo real de cada unidade, some ao preço de compra tudo o que você pagou para aquele produto chegar à sua prateleira: o frete do pedido, dividido pelas unidades que vieram nele, e qualquer taxa de boleto ou de envio cobrada pelo fornecedor.
Depois, na hora da venda, entram os custos que acompanham cada saída: a taxa do meio de pagamento, a embalagem, o folheto com as orientações e, se for o seu caso, o imposto sobre o faturamento. Só o que sobra depois de tudo isso é lucro.
Verdade: cada lote chega com um custo diferente, e é por isso que existe o custo médio
Você comprou 24 bisnagas em agosto por um preço. Em outubro, o fornecedor reajustou, o frete subiu, e você comprou mais 24. Qual é o custo da bisnaga que está na sua mão agora? Nenhum dos dois preços isolados responde. A resposta é o custo médio ponderado: o valor total do que está em estoque dividido pela quantidade de unidades.
A fórmula é simples: (unidades antigas × custo antigo + unidades novas × custo novo) ÷ total de unidades. Ela evita dois erros comuns. Usar o preço do primeiro lote faz você achar que está lucrando mais do que está. Usar só o preço do último lote pode empurrar você a subir o preço sem necessidade.
O exemplo completo: quanto sobra de uma pomada de R$ 45
Atenção: todos os números desta seção são hipotéticos, criados só para ilustrar o cálculo. Não são preços de mercado nem taxas de nenhuma empresa específica. Troque cada valor pelos números do seu estúdio.
Imagine que o seu estúdio vende uma pomada pós-tattoo por R$ 45,00.
- Primeiro lote: 24 bisnagas a R$ 18,00, com frete de R$ 36,00 no pedido. O frete por unidade é R$ 1,50, então o custo real é R$ 19,50.
- Segundo lote: quando restavam 8 bisnagas do primeiro, chegaram mais 24 a R$ 21,00, com o mesmo frete de R$ 36,00. Custo real: R$ 22,50.
- Custo médio: (8 × R$ 19,50 + 24 × R$ 22,50) ÷ 32 = (R$ 156,00 + R$ 540,00) ÷ 32 = R$ 21,75 por unidade.
- Taxa do cartão de crédito à vista (hipotética, 3,5%): R$ 1,58 por venda.
- Embalagem e folheto de cuidados: R$ 1,20.
- Perda por validade: de cada 48 bisnagas compradas, 4 venceram antes de vender. São 4 × R$ 21,75 = R$ 87,00 perdidos, que precisam ser cobertos pelas 44 vendidas: R$ 1,98 por unidade.
O lucro real por bisnaga fica em R$ 45,00 − R$ 21,75 − R$ 1,58 − R$ 1,20 − R$ 1,98 = R$ 18,49, uma margem de cerca de 41%. Pela conta de padaria (R$ 45,00 menos R$ 18,00 da nota), você acharia que ganha R$ 27,00 por unidade, ou 60%. A diferença entre o que você acha e o que de fato entra é de R$ 8,51 em cada pomada vendida.
| Produto (exemplo hipotético) | Preço de venda | Custo médio com frete | Taxa de pagamento (3,5%) | Embalagem | Perda por validade | Lucro real | Margem real |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Pomada pós-tattoo | R$ 45,00 | R$ 21,75 | R$ 1,58 | R$ 1,20 | R$ 1,98 | R$ 18,49 | 41,1% |
| Sabonete líquido neutro | R$ 32,00 | R$ 16,40 | R$ 1,12 | R$ 0,60 | R$ 0,30 | R$ 13,58 | 42,4% |
| Película adesiva avulsa | R$ 15,00 | R$ 9,80 | R$ 0,53 | R$ 0,40 | R$ 0,90 | R$ 3,37 | 22,5% |
Repare na película: é o item que mais sai junto da tatuagem, e o que menos deixa no caixa. Isso não quer dizer que você deva parar de vendê-la. Quer dizer que você precisa saber disso antes de dar desconto nela.
Mito: a taxa da maquininha é custo do estúdio, não do produto
Se o cliente paga a pomada no cartão, a taxa daquela transação existe por causa daquela venda. Ela é custo do produto, sim. E muda conforme o meio: débito, crédito à vista, crédito parcelado e Pix costumam ter custos diferentes, que dependem do contrato com o seu banco ou com a sua maquininha.
No exemplo acima, se a mesma pomada fosse paga por um Pix sem tarifa, o lucro subiria de R$ 18,49 para R$ 20,07. Parece pouco, mas multiplique pelas unidades do mês. Vale conhecer o Pix, o pagamento instantâneo do Banco Central, e conferir no seu contrato quanto você paga em cada modalidade. Uma coisa é certa: dar parcelamento sem juros num produto de R$ 15 pode comer boa parte da margem.
Mito: produto vencido é só azar
Vencimento não é azar, é custo previsível. Se todo semestre sobra uma parte do lote vencida, essa perda tem que entrar na conta dos produtos que você vendeu, como no exemplo. Ignorar isso é fingir que aquele dinheiro nunca saiu do caixa.
A solução prática é comprar em lotes menores, com mais frequência, e organizar a prateleira para que o mais antigo saia primeiro. E uma regra que não se discute: produto vencido não se vende, não se dá de brinde e não se usa em cliente. Vai para o descarte e para a sua planilha de perdas.
Verdade: vender produto pós-tattoo não é receitar
Pomadas, cremes e sabonetes para a pele são produtos regulados pela Anvisa, a agência que cuida da vigilância sanitária de cosméticos no Brasil. Compre de fornecedores regularizados, guarde as notas e respeite o que está no rótulo, inclusive a validade e as condições de armazenamento.
Na hora de vender, você oferece o produto que o seu estúdio trabalha; você não está fazendo diagnóstico. Oriente o cliente a seguir o rótulo ou a bula e a procurar um médico ou dermatologista se houver alergia, vermelhidão fora do normal, dor que piora ou qualquer sinal de infecção. Para os cuidados do dia a dia, mande o cliente para conteúdos confiáveis, como os mitos e verdades sobre os cuidados com a tatuagem nova e o texto que explica o que acontece se você não passa pomada na tatuagem.

Mito: dá para controlar tudo no caderno
Dá, enquanto o balcão tem três produtos e uma pessoa vendendo. Quando entram variações, dois lotes com preços diferentes, vendas pelo WhatsApp e alguém da recepção registrando no lugar de você, o caderno começa a mentir. E o custo médio, que muda a cada compra, é justamente o cálculo que ninguém refaz à mão.
É aqui que um app de vendas e estoque pensado para o pequeno lojista ajuda. O Stoqui é um desses apps: reúne PDV para vender no balcão, controle de estoque, catálogo e loja online, tudo operado pelo celular. Para o assunto deste texto, três recursos interessam, conforme a página de controle de estoque do próprio Stoqui:
- Custo médio calculado a cada entrada. Você registra a compra com o preço de custo, e o app recalcula o custo médio do produto e mostra o valor parado em estoque.
- Movimentação do tipo Perda. Quebra, vencimento e avaria saem do saldo com registro, em vez de sumirem sem explicação.
- Um estoque só para todos os canais. A pomada vendida no balcão e a vendida pelo catálogo descontam do mesmo saldo.
Um detalhe importante sobre planos, conferido na página de planos em 20/10/2026: a análise de lucratividade e os relatórios completos de vendas aparecem a partir do plano Pro (R$ 59/mês), que também libera produtos ilimitados, contas a pagar, fluxo de caixa e leitor de código de barras. O plano Grátis (R$ 0) tem até 50 produtos, 10 vendas presenciais no PDV, catálogo, loja online e Pix. O Lite (R$ 39/mês) vai a 250 produtos e 100 vendas presenciais por mês. O Black (R$ 109/mês) acrescenta emissão de NF-e e NFC-e e domínio próprio. Há desconto de 15% no trimestral e de 25% no anual, e o Stoqui não cobra comissão sobre as vendas (as taxas de Pix e cartão são dos parceiros de pagamento). Preços e limites mudam, então confira antes de assinar.
Se quiser testar a conta antes de qualquer coisa, a calculadora de margem de lucro do Stoqui é gratuita e não pede cadastro.
Verdade: margem baixa nem sempre é motivo para cortar o produto
A película do exemplo tem margem de 22,5%. Cortar? Talvez não. Alguns itens funcionam como parte do serviço: o cliente espera encontrá-los no estúdio, e a ausência deles pesa mais na experiência do que o lucro que deixam. O que muda é o jeito de tratar esse item: sem desconto, sem parcelamento, e de preferência vendido em kit com os produtos de margem melhor.
A forma como você apresenta esses produtos também conta como marca. Um kit de cuidados organizado, com orientação por escrito, diz muito sobre o estúdio, assunto que aparece no texto sobre o que realmente constrói a marca de um estúdio de tatuagem.
Passo a passo para calcular o lucro real de cada produto
- Liste todos os produtos do balcão, cada um com o preço de venda atual.
- Para cada compra, some o frete e as taxas do pedido e divida pelas unidades. Esse é o custo real do lote.
- Calcule o custo médio sempre que entrar um lote novo, considerando o que ainda restava em estoque.
- Descubra a taxa média que você paga por meio de pagamento e aplique a que mais aparece nas vendas de cada produto.
- Some embalagem, folheto e brinde que acompanham o produto.
- Registre as perdas do período (validade, avaria, uso interno) e divida pelo número de unidades vendidas.
- Subtraia tudo do preço de venda. Divida o resultado pelo preço e multiplique por 100: essa é a sua margem real.
- Refaça a conta a cada reajuste de fornecedor ou mudança de contrato com a maquininha.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre margem e markup?
Margem é o lucro dividido pelo preço de venda. Markup é o número pelo qual você multiplica o custo para chegar ao preço. Uma pomada com custo de R$ 22,50 vendida a R$ 45,00 tem markup de 2 e margem bruta de 50%, antes de taxas, embalagem e perdas.
Devo incluir o imposto no cálculo do lucro por produto?
Sim, se você recolhe imposto sobre o faturamento. Use a alíquota que se aplica ao seu enquadramento e, na dúvida, confirme com o seu contador. O exemplo deste texto deixou o imposto de fora só para simplificar.
Como evitar perdas por validade das pomadas?
Compre em lotes menores e mais frequentes, coloque os itens mais antigos na frente da prateleira e registre cada perda. Produto vencido não deve ser vendido nem usado em cliente.
Posso indicar qual pomada o cliente deve usar?
Você pode oferecer os produtos que o estúdio trabalha e explicar os cuidados gerais, mas a indicação para cada caso é do profissional de saúde. Oriente o cliente a seguir o rótulo ou a bula e a procurar um médico se houver qualquer reação.
Em qual plano do Stoqui aparece a análise de lucratividade?
Na tabela de planos conferida em 20/10/2026, a análise de lucratividade aparece nos planos Pro (R$ 59/mês) e Black (R$ 109/mês). O custo médio, segundo a página de controle de estoque do Stoqui, é calculado a cada entrada de estoque. Confira a página de planos antes de escolher, porque preços e recursos podem mudar.
